Ninguém quer ser professor
Postado em 2010-02-11 10:19:44 por admin. 3 comentários

O alto déficit de professores e o aparente desinteresse dos jovens pela profissão são indicativos da falta de atratividade da carreira no Setor Educacional. Isto foi comprovado, recentemente, por uma pesquisa feita pela Fundação Carlos Chagas a pedido da Fundação Victor Civita. No estudo, um dado preocupante: apenas 2% dos estudantes do Ensino Médio têm como primeira opção no vestibular cursos diretamente relacionadas à atuação em sala de aula.

Foram ouvidos 1.501 alunos do 3º ano em 18 escolas públicas e privadas de oito cidades, com o intuito de entender o desinteresse pela docência. 32% desses estudantes cogitaram ser professores em algum momento da vida, mas, afastados por fatores como a baixa remuneração (citado por 40% dos entrevistados), a desvalorização social da profissão e o desinteresse e o desrespeito dos alunos (ambos mencionados por 17%), acabaram elegendo outras profissões.

Segundo levantamento do INEP (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira), apenas no Ensino Médio e nas séries finais do Ensino Fundamental o déficit de professores com formação adequada à área chega a 710 mil, o que contrasta com a expansão de 65% no número de cursos de licenciatura verificada entre os anos de 2001 e 2006. Observa-se, entretanto que as matrículas, no mesmo período, cresceram apenas 39%, sendo que o índice de vagas ociosas chega a 55% do total oferecido em cursos de Pedagogia e de formação de professores.

Enquanto que nos países que priorizaram e Educação e detém os sistemas de melhor desempenho os alunos que se preparam para ser professores estão entre os 20% melhores do quadro universitário, por aqui e realidade é bem diferente. De acordo com a pesquisa, nas  escolas públicas, o curso de pedagogia  aparece em 16º lugar das preferências; nas particulares, apenas no 36º. Dos entrevistados que optaram pela carreira, 87% são da escola pública, dado semelhante ao número de alunos dos cursos de pedagogia advindos da rede pública: 80%.

Tais informações demonstram que a profissão de professor geralmente é procurada por jovens da rede pública de ensino, que, infelizmente, não tiveram acesso a uma formação educacional de qualidade. Isto não é uma opinião, e sim um triste fato comprovado  pelos resultados observados na Prova Brasil e  ENEM.  Esta constatação mostra um  circulo educacional perverso que prejudica muito o nosso presente e condena, de forma anunciada, o futuro.

A qualidade educacional jamais superará  a qualidade dos  professores . Qualquer processo de mudança no sistema educacional só avançará com professores preparados para liderar este desafio. A escola que precisamos só será construída quando  pararem de negar os dados apresentados em pesquisas e avaliações e  passarem a utilizar tais informações para corrigir aquilo que está errado.

Diante desse quadro, tornar o magistério mais atraente, com melhores salários, boas condições de trabalho e prestígio profissional  são condições  óbvias e extremamente necessárias. Não apenas para tornar a docência atraente , mas, principalmente, para iniciarmos uma trajetória rumo a um sistema educacional de qualidade.

 Thiago Peixoto é economista e deputado estadual (PMDB)

Publicado em O Popular em 11/02/2010.

Comentários para o Artigo "Ninguém quer ser professor"

ana maria
Postado em 2010-05-12 22:39:23
Sou professora e amo o que faço, mas nos últimos tempos percebemos a desvalorização com nossa profissão. Precisamos de dep. como vc par nos defender. Trabalho muito, ganho pouco, sou uma das (brigonas) por direitos garantidos, mas está dificil. Fico feliz quando vejo pessoas como vc defendendo a nossa classe. Obrigada. Que Deus te abençoe, e te dê ainda mais sabedoria para ser a nossa voz no meio politico.
MARCOS DIVINO FERREIRA SANTOS
Postado em 2010-02-13 20:06:01
Bem Deputado, essas e outras constatações são óbvias. Não vê quem não quer! O Brasil vem se preocupando com o crescimento dentro do cenário internacional e esconde as imundices internas embaixo do tapete, com estatísticas induzidas, como o ENADE por exemplo. Sou professor, sou estudante, e me preocupo por demais com os rumos da educação. Está na onda o ensino a distância, e como será que serão os alunos que aprenderão a distancia se os que aprendem em sala já são deficientes? Política salarial, e como será que vão desenvolver políticas salariais justas com tantos encargos, com desproporcionalidade na cobrança dos cursos, sim por que todo atividade empresarial visa lucro, e como os próprios governos vão promover políticas salarias justas se o Brasil se preocupa com a imagem perante o globo e se esquece da imagem interna, com quase todos os Estados praticamente falidos? O MEC exige mestrado de uma porcentagem dos professores de faculdades, doutores inclusive, e onde estão os mestrados e doutorados no Brasil? Curso um mestrado no exterior, por que no Brasil os preços são exorbitantes e exigem transferência de domicílio para onde existe o curso, quando concluir iniciarei nova luta de reconhecimento, por que o Brasil não tem e tão pouco observa tratados internacionais, que pelas novas disposições estão acima ou no mesmo patamar do direito interno, é o chamado jus cogens. O Brasil deputado, permissa vênia, é o nosso Brasil, amamos, somos patriotas, mas resolver certas questões é sonho ou a longuíssimo prazo. Políticas de ressocialização de indivíduos, por exemplo reduziria a criminalidade a patamares \"aceitáveis\", como se existisse criminalidade aceitável, e quem investe nisso? Qual governo se preocupa em auxiliar no cumprimento da LEP? Sonhos deputado, sonhos, nada mais!
Valdivino Ferreira Leite
Postado em 2010-02-12 20:25:28
Deputado Thiago Peixoto, sou professor e gosto muito do seu posicioamento diante das questões educacionais. Percebo que Vossa Senhoria é um político lúcido e sabe fazer a leitura correta dos problemas educacionais existentes em nosso país e principalmente no Estado de Goiás. Realmente não resolve nada o investimento em tecnologias, prédios novos, lanche, ... sem que haja bons professores. A única vez que discordei do posicionamento de Vossa Senhoria, foi quanto ao décimo quarto salário. O décimo quarto salário que estão congitando, está relacionado à produtiviade do professor. Essa produtividade será medida através dos instrumentos de medidas estabelecidos pelo MEC (ENEM, SAEB) e outros tipos de provas que poderão surgir. Gostaria de lembrar que nós da Escola pública lidamos com diversos tipos de clientela, por exemplo, fazemos parte da escola inclusiva, então recebemos portadores de necessidades especiais, obviamente são seres humanos que merecem nosso respeito e devemos socializá-los, porém muitos desses portadores jamais atingirá notas consideradas satisfatórias. No ensino noturno a maioria dos alunos tem como prioridade seu serviço, deixando em segundo plano a educação, mesmo diante de professores qualificados e empenhados esses alunos não desempenham suas atividades educacionais com a mesma qualidade dos outros turnos, até mesmo por falta de tempo, sem levar em consideração que o tempo deles em sala de aula é menor que os alunos dos outros turnos, então consequentemente seu desempenho nas provas usadas pelo MEC pode não ser o que todos esperam. Além disso a educação pública é sustentada por um tripé: ESTADO, PROFESSOR e FAMILIA. O Estado deve oferecer condições financeiras ao fucionamento da escola, desde instalações, materiais e prédios adequados, até bons salários. A família deve acompanhar o aluno durante sua vida escolar, sob todos os aspectos, inclusive auxiliando-o, financeiramente, para que ele possa dedicar exclusivamente aos estudos. Já o professor deve ministrar suas aulas com qualidade. No caso do 14º salário a responsabilidade da aprendizagem dos alunos fica delegada somente ao professor. Por isso não concordo com esse tipo de remuneração.

Prof. Valdivino

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