O alto déficit de professores e o aparente desinteresse dos jovens pela profissão são indicativos da falta de atratividade da carreira no Setor Educacional. Isto foi comprovado, recentemente, por uma pesquisa feita pela Fundação Carlos Chagas a pedido da Fundação Victor Civita. No estudo, um dado preocupante: apenas 2% dos estudantes do Ensino Médio têm como primeira opção no vestibular cursos diretamente relacionadas à atuação em sala de aula.
Foram ouvidos 1.501 alunos do 3º ano em 18 escolas públicas e privadas de oito cidades, com o intuito de entender o desinteresse pela docência. 32% desses estudantes cogitaram ser professores em algum momento da vida, mas, afastados por fatores como a baixa remuneração (citado por 40% dos entrevistados), a desvalorização social da profissão e o desinteresse e o desrespeito dos alunos (ambos mencionados por 17%), acabaram elegendo outras profissões.
Segundo levantamento do INEP (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira), apenas no Ensino Médio e nas séries finais do Ensino Fundamental o déficit de professores com formação adequada à área chega a 710 mil, o que contrasta com a expansão de 65% no número de cursos de licenciatura verificada entre os anos de 2001 e 2006. Observa-se, entretanto que as matrículas, no mesmo período, cresceram apenas 39%, sendo que o índice de vagas ociosas chega a 55% do total oferecido em cursos de Pedagogia e de formação de professores.
Enquanto que nos países que priorizaram e Educação e detém os sistemas de melhor desempenho os alunos que se preparam para ser professores estão entre os 20% melhores do quadro universitário, por aqui e realidade é bem diferente. De acordo com a pesquisa, nas escolas públicas, o curso de pedagogia aparece em 16º lugar das preferências; nas particulares, apenas no 36º. Dos entrevistados que optaram pela carreira, 87% são da escola pública, dado semelhante ao número de alunos dos cursos de pedagogia advindos da rede pública: 80%.
Tais informações demonstram que a profissão de professor geralmente é procurada por jovens da rede pública de ensino, que, infelizmente, não tiveram acesso a uma formação educacional de qualidade. Isto não é uma opinião, e sim um triste fato comprovado pelos resultados observados na Prova Brasil e ENEM. Esta constatação mostra um circulo educacional perverso que prejudica muito o nosso presente e condena, de forma anunciada, o futuro.
A qualidade educacional jamais superará a qualidade dos professores . Qualquer processo de mudança no sistema educacional só avançará com professores preparados para liderar este desafio. A escola que precisamos só será construída quando pararem de negar os dados apresentados em pesquisas e avaliações e passarem a utilizar tais informações para corrigir aquilo que está errado.
Diante desse quadro, tornar o magistério mais atraente, com melhores salários, boas condições de trabalho e prestígio profissional são condições óbvias e extremamente necessárias. Não apenas para tornar a docência atraente , mas, principalmente, para iniciarmos uma trajetória rumo a um sistema educacional de qualidade.
Thiago Peixoto é economista e deputado estadual (PMDB)
Publicado em O Popular em 11/02/2010.