Os que estavam em Copenhague e todos que acompanhavam as discussões sabiam que aquele18 de dezembro de 2009 era um dia marcante. A COP15 chegava ao ápice. Mais de 120 líderes políticos, presidentes e primeiros-ministros estavam cientes de que as consequências do aquecimento global atingiriam não somente o meio ambiente, mas a economia, o estilo de vida e a sociedade como um todo.
Sem ficar alheio à tentativa da cúpula de fechar um acordo, participei de um evento paralelo às grandes negociações. Um ônibus levou um grupo para conhecer o programa de educação ambiental desenvolvido em Copenhague, visitar escolas e conversar com alunos e professores.
Quis conferir o esforço do sistema educacional da Dinamarca em educar uma nova geração que compreende, respeita e valoriza o meio ambiente. Pessoas que entendem a importância de cada um fazer a sua parte, e que as decisões tomadas por cada um têm de ser parte da vontade coletiva. Estavam sendo preparados para salvar não o planeta, mas os seres humanos.
A primeira parada foi no Centro Científico de Energia e Água de Copenhague - escola criativa e com grande aparato científico, onde se aprende como produzir energia através do vento, sol, água e do lixo. Aliás, constatar que no centro científico não se usa absolutamente nada de energia fóssil nos faz afirmar, com certeza, que nossas fontes energéticas com base fóssil estão com os dias contados.
Também estivemos em uma escola de ensino básico que recebia, naquele dia, um laboratório móvel de ciências, que tinha como objetivo mostrar causas, efeitos e soluções para a mudança climática. Deparamo-nos com alunos curiosos para falar com os visitantes de diferentes partes do mundo.
Explicamos quem e de onde éramos, falamos de nossas profissões e então veio a pergunta de uma garota de apenas 11 anos: “É verdade que corremos o risco de não chegarmos a nenhum acordo na COP 15?”. Um representante do governo indiano tentou explicar as dificuldades de um acordo mais amplo.
Ela não perdoou e disparou: “O senhor está me dizendo que mesmo com todas as evidências científicas e com todo o mundo esperando por isso, vocês vão adiar este acordo e colocar em risco o meu futuro e o dos meus colegas?”
Constrangimento geral. Percebi ali que nosso futuro estava nas mãos da geração errada. Vivemos um problema que não pode esperar pelas próximas gerações. Quando o assunto é mudança climática, temos a responsabilidade de agir de forma imediata, caso contrário a atual geração que tem a oportunidade de solucionar este urgente problema será lembrada como a arquiteta da nossa destruição.
Thiago peixoto é economista e deputado estadual (PMDB).
Publicado em O Popular em 07/01/2010