Copenhague: a hora é agora
Postado em 2010-01-23 21:37:02 por admin. 0 comentários

Todos os caminhos levam a Copenhague. Mais da metade dos líderes mundiais desembarcam na Dinamarca para enfrentar o desafio do aquecimento global. A 15ª Conferência das Partes da Convenção do Clima das Nações Unidas (COP-15) é um encontro internacional que articula novo acordo de proteção ao clima. O nível de participação de tantos chefes de Estado difere bastante de outros eventos semelhantes, restritos a poucos integrantes.

Se a presença de tantos líderes mundiais não garante o sucesso da COP-15, por outro lado faz com que o fracasso seja muito mais difícil. A expectativa é de que, iniciado um processo de mudança, este não poderá mais ser interrompido. Destaque-se também a forte pressão da opinião pública. Tão forte a ponto de o presidente Barack Obama – que estaria no lugar certo, mas na hora errada – remarcar a data de sua viagem à Copenhague – ao invés do dia 9, quando não teria condições de participar das principais decisões, Obama estará na conferência nos dias 17 e 18.

Mesmo com todas as dificuldades previsíveis, a presidente da COP-15, Connie Hegaard, afirmou que “ninguém pode pagar o preço de um fracasso em Copenhague”. Em outras palavras: não se pode entrar em uma negociação deste tamanho apostando que o acordo em relação ao clima será algo impossível. O ceticismo tem de abrir espaço para a esperança e para a busca de soluções e melhores resultados. Tudo isso alicerçado em elementos-chave como cortes de emissões de gases estufa, novos fundos para ajudar nações em desenvolvimento, escolha de um caminho de desenvolvimento verde e determinação de prazo para cumprimento das metas.

O Brasil chega em Copenhague de forma ousada, ciente da responsabilidade que tem e mostrando o caminho para outros países. Nossa proposta é de reduzir entre 36% e 39% o que se projeta como emissões em 2020. É um compromisso comparável com a União Européia e bem mais ambicioso que o dos EUA. Além disso, temos um estoque de carbono de 47 bilhões de toneladas na Amazônia – um grande ativo com potencial bilionário nas negociações do clima.

Os dias em Copenhague colocam nas mãos da geração do presente a decisão que definirá o futuro. A hora é agora; o depois pode ser nunca. As soluções precisam ser apresentadas – não em palavras, mas sim em urgentes ações.

Thiago Peixoto é deputado estadual (PMDB) e economista. Acompanhará a delegação brasileira em Copenhague

Publicado em O Popular em 08/12/2009

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