Há dois anos e meio, o Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia (Crea) recomendou reformas urgentes em dez escolas estaduais que ficam na capital e até hoje praticamente nada mudou nestas unidades de ensino. Esta constatação veio a público no POPULAR (18/10), em matéria de Vinicius Sassine. Dois dias depois, no mesmo jornal, Sassine relatou a precariedade de 236 escolas sob responsabilidade do Estado em 55 municípios goianos.
As matérias mostram a grande distância entre a educação de que precisamos e as ações governamentais. Mas serão apenas os políticos que não priorizam esforços para mudar a realidade educacional? Segundo o Ibope, a resposta é não. Recente pesquisa do instituto constatou que a educação está em sexto lugar entre as preocupações dos brasileiros. A dura realidade do jogo político faz com que aquilo que não é prioridade para a população em geral, não seja para os governantes.
Também é possível concluirmos que um dos maiores desafios que temos é não deixar que melhorias na Educação sejam cobradas apenas por um veículo de comunicação, um político ou por um grupo de professores. Elas só se tornarão realidade quando for uma demanda de cada um e de todos ao mesmo tempo.
Foi com o envolvimento de todos que a educação avançou na maioria dos países desenvolvidos e atingiu patamares que nos servem de exemplo. Coreia do Sul, Irlanda e Espanha promoveram reformas educacionais que resultaram numa grande guinada em suas políticas de desenvolvimento. Entenderam a educação como mola propulsora do crescimento econômico e, consequentemente, como causa de toda a sociedade.
Será que é justo? No País que ostenta uma das maiores cargas tributárias do mundo alguém querer dividir uma responsabilidade que é dos governos com toda a sociedade? É óbvio que reconheço que oferecer educação de qualidade é papel do poder público. Porém, a pressão por acesso a esta mesma educação de qualidade gera uma forte demanda política, que faz com que os gestores públicos responsáveis tenham de se comprometer e agir.
Em meio à ineficiência por parte dos governos, alguns exemplos da apropriação da causa educacional pela sociedade começam a surgir. Após conduzir uma visita de empresários goianos à Escola Estadual Edmundo Rocha, na Vila Mutirão, para que eles conhecessem a realidade das escolas públicas, tivemos contato com um gestor escolar que aplica inovadores mecanismos em seu trabalho.
O grupo de empresários se viu motivado a ajudar a maximizar as ações ali em curso lideradas pelo professor Marcelo Oliveira. Daí nasceu em Goiás o Parceiros da Educação, uma instituição que já existia em São Paulo e que visa melhorar a qualidade do ensino por meio de parcerias entre escolas e empresas – da qual tive a honra de ser um dos fundadores. Hoje vivemos o desafio de convencer mais pessoas para que outras escolas sejam adotadas.
Assim como esses empresários encontraram uma forma produtiva para colaborar com a educação, cada um de nós pode encontrar a sua forma, dentro da sua realidade. Que o apelo ao envolvimento de todos, aqui proposto, não soe como uma simples divisão de responsabilidades; entendam como um pedido de ajuda. E se a ajuda não chegar aos estudantes, o prejuízo não vai ser limitado apenas àquele jovem que não teve acesso a uma boa escola. Mas sim ao futuro de todos.
Thiago Peixoto é economista e deputado estadual (PMDB)
Publicado em O Popular no dia 31/10/2009